terça-feira, 20 de abril de 2010

O mérito do estuprador de criancinhas

Não falei nada sobre o mestrado ainda, então vou falar agora.

Tenho uma aula em que os alunos têm (será que esse têm tem acento depois do Novo Acordo?) que mostrar suas histórias para os outros alunos e, logo em seguida, todo mundo discute o trabalho da vítima.

Meu texto foi o primeiro capítulo da minha nova ficção, conhecida até então como "O Romance do Século" (o título original, porém, vai ser Lacks). Nesse capítulo, apresento um personagem que não tem interesse genuíno em nada. Ele teve namoradas, mas nunca amou de verdade. Tem um emprego bom, mas que não o inspira. Acorda, come, caga e dorme, sem nunca experimentar grandes emoções. Enfim, é um cara que pode ser comparado com 95% das pessoas no mundo real.

Tá, aí no meio da discussão ficou claro que NINGUÉM foi com a cara do protagonista. Todo mundo odiou o cara, falando que ele era um filho da puta, etc. Até aí beleza, porque a ideia (esse eu sei que não tem acento porque minha irmã já me corrigiu) da parada era realmente fazer personagens odiosos. Foi interessante, porque mesmo que ninguém tenha curtido o sujeito, todo mundo se sentiu compenetrado com meu estilo, elogiou e o caralho (gringos hipócritas de merda). Daí, iniciou-se uma discussão de como o ódio pode ser uma ferramenta importante na narrativa, e como o fato de que, às vezes, ter uma reação extrema mediante um personagem pode ser melhor do que reação alguma.
(Além disso, foi bom porque eu tava inseguro quanto ao lance de escrever em inglês - ainda estou -, e, embora tenha tido alguns erros, ainda acho que ficou melhor do que quando escrevo em português.)

O detalhe mais interessante, porém, foi quando me perguntaram se eu tinha alguma relação com o personagem, se eu via algo de mim nele. Foi aí que mandei (sem pensar, claro) essa pérola:

"Nothing gets me crazier than people that have no passion. I can't respect someone who does accounting just because of the need to get a diploma and a boring job. It gives me the creeps. In a way, I kinda respect crazy children rapists, because, even though they are into fucking innocent children and therefore give them traumas, at least they're passionate about what they do."

Rolou um silêncio TENSO, que deve ter durado uns 5 segundos. Ninguém conseguiu falar nada. Aí uma garota lá mandou:
"That was the worst explanation ever. You make me sick."
Pra isso, a resposta:
"You guys are not in awe because you feel disgusted. You're in awe because it's true."

Abaixo, foto da turma num jantar de confraternização, antes deles acharem que eu compactuava com a mentalidade de serial killers e demais sociopatas:


Outro detalhe engraçado: tem uma menina da Malásia na turma (adivinha quem ela é na foto??? não sei quem você falou, mas se você não é retardado, com certeza acertou!), e, quando a gente tava analisando o texto de outra aluna, que contava a história de uma menina bêbada (um bom tema!), a mulçumana falou que não podia opinar porque nunca tinha bebido. Duas coisas interessantes aconteceram então:

1) eu fiquei COMPLETAMENTE CHOCADO; tipo, a gente sabe que tem pessoas que não bebem por causa de religião e tal, mas quando você vê uma pessoa com 28 anos (sim, eu sei que parece que tem menos), e que NUNCA tomou um só gole de álcool, você se pergunta como essa pessoa consegue distinguir "diversão" de "suicídio";

2) na hora, a professora virou e falou: "você não sabe nada sobre bebida? Pergunta pro diogo que ele te explica!" Ela nunca me viu bebendo nem nada, mas depois do meu comentário do rapist e, principalmente, do meu texto brutal e pessimista, acho que vou ficar marcado na turma como o brasileiro marginal drogado e jaded.

Até hoje, essa foi a melhor aula que tive.

7 comentários:

  1. Achei bastante infeliz essa sua comparação de paixão, mas... vc é polêmico mesmo, além disso não liga para a minha opinião. Acho que vc agora é o "queridinho" da turma: psicopata, alcoólatra e louco.
    Imagina se eles conhecerem a sua turma de amigos e passar uma noite acompanhando vcs na night! Rsrsrs

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  2. Agora, se apelarem para o rótulo de homem-bomba ou te chamarem de brasileiro favelado, corra para http://www.brazilsydney.org/Ingles/jurisdiction.html
    Fica a dica. :D

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  3. Último comentário: quem é a menina na foto que fez o comentário na aula? Não gostei dela.

    Obs. (Tudo a ver com o assunto): Escreve um email para mim, eu não sei de quase nada daí, só pelo blog! Por favor, por favor, por favoooooor!!!

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  4. Deixe estas ideias loucas para seus livros loucos. Com certeza vão vender. Fala com a turma que isso é só literatura. Pra menina que disse "you make a sick" fala que é a mãe!!!!!!!

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  5. O outro "homem" da turma manja, não manja?

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  6. NOT!

    P.S.: gostei do comentário "bad ass" da Márcia.

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